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O s w a l d o
d e
C a m a r g o

 

EM MAIO

Já não há mais razão de chamar as lembranças

e mostrá-las ao povo

em maio.

Em maio sopram ventos desatados

por mãos de mando, turvam o sentido

do que sonhamos.

Em maio uma tal senhora liberdade se alvoroça,

e desce às praças das bocas entreabertas

e começa:

Outrora, nas senzalas, os senhores...

Mas a liberdade que desce à praça

nos meados de maio

pedindo rumores,

é uma senhora esquálida, seca, desvalida

e nada sabe de nossa vida.

A liberdade que sei é uma menina sem jeito,

vem montada no ombro dos moleques

e se esconde

no peito, em fogo, dos que jamais irão

à praça.

Na praça estão os fracos, os velhos, os decadentes

e seu grito: Ó bendita Liberdade!

E ela sorri e se orgulha, de verdade,

do muito que tem feito!

Oswaldo de Camargo

OSWALDO DE CAMARGO nasceu em Bragança Paulista/SP, em 1936. É Jornalista e Músico de formação erudita. Foi diretor da Associação Cultural do Negro, participou da Imprensa Negra, atuou no Jornal O Novo Horizonte, O Mutirão e na Revista Níger, dentre outras. Organizou a antologia A razão da chama.