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Acho que precisamos de algum tipo de revolução! Sei que estou falando isso agora tomado por um sentimento de impotência, diante da falta de educação, lazer e comida decente para dar aos meus filhos. Mas essa idéia já há muito tempo vem insinuando-se para mim, sem que eu ousasse confrontá-la. É, manos e minas, algum tipo de revolução que faça com que as pessoas voltem a pensar, a refletir, a contestar e a fazer. Algum tipo de revolução que nos proteja não só dos burgueses, mas também dos falsos revolucionários que gostam de meter o cano e tirar o dinheiro e a vida de quem é honesto.
Uma revolução que livre do marasmo esse nosso povo sofrido, que se encanta com tapinhas nas costas e finge que não viu racismo logo ali onde ele acabou de acontecer. Ah, meu Deus, como somos carentes. Queremos pão e amor, circo e amizade. Não podemos ofender o vizinho que, afinal, nos deixa entrar em sua casa. Não podemos ofender o pai, que nos odeia, mas, gentilmente, deixa que namoremos sua loira filha. Só um pouco, só até ela se cansar da brincadeira.
Então está tudo bem. Mas nós temos que pagar a conta de novo? Precisamos de uma revolução que ponha nas rádios a música que gostamos de ouvir, que coloque na tevê programas que nos distraiam, sim, mas também eduquem.
Uma revolução que nos faça ter orgulho da classe política (teríamos que trocar setenta por cento do que está aí), que nos livre desses senhores feudais que nos dominam com a arrogância do sinhô de outrora.
Precisamos de uma revolução que resgaste a dignidade e a solidariedade que um dia tivemos, que nos jogue de encontro ao prazer de viver, que embale nossos sonhos com canções de amor.
Precisamos de valores que mostrem que é bom e é justo e é bonito respeitar o próximo.
Parece que precisamos de uma revolução que comece onde todas as revoluções deveriam começar: dentro de nosso coração.
Axé
Quem não ouviu ainda que vá depressinha ouvir: Vírgina Rodrigues! Que maravilha! Que lirismo! Uma cantora afro lírica. Eu nunca tinha ouvido coisa igual. Distancia-se da mesmice que habita por aí. A reparar apenas os arranjos, espcialmente os de violão, que poderiam ter sido mais inventivos, para ficar à altura da voz de Vírgina. Escolha qualquer um dos seus dois CDs e delicie-se.
Aloisio
- RJ |
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